Publicado em 3 de junho de 2017 | 11:44
Você sabia que os EUA usaram o rock ‘n roll para ‘torturar’ o líder panamenho Noriega?
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No Natal de 1989, o general panamenho Manuel Noriega, que morreu no mês passado, tornou-se um alvo famoso dessa técnica. O líder militar havia se escondido na embaixada do Vaticano na Cidade do Panamá depois de o presidente americano George Bush ter invadido o país centro-americano.

Noriega era acusado pelos EUA de tráfico de drogas e de manipulação das eleições de 1989. A embaixada estava cercada por tropas americanas, mas ele se recusava a se entregar.

O exército dos EUA decidiu então usar a guerra psicológica – erguendo uma parede de som e colocando-a para funcionar sem parar do lado de fora. Uma frota de Humvees (veículos militares) com alto-falantes começou a tocar rock.

A playlist das tropas foi escolhida pela Rede do Comando do Sul, a rádio militar dos EUA na América Central. Ela incluiu hits escolhidos a dedo por seu conteúdo irônico, incluindo I Fought The Law, do The Clash, Panama, da banda de rock Van Halen, All I Want Is You, do U2, e If I Had A Rocket Launcher, de Bruce Cockburn. Guns N’ Roses e The Doors também estavam na lista.

Em 3 de janeiro de 1990, o general, que se dizia amante de ópera, concordou em render-se.

Os EUA também tocaram Metallica e Thin Lizzy na linha de frente no Afeganistão em 2010

Os fuzileiros alegadamente tocaram metais pesados nas aldeias de Marjah por várias horas, junto com ameaças aos talibãs.

Enter Sandman, do Metallica, tornou-se a música favorita dos americanos no auge da chamada “Guerra ao Terror”, quando interrogadores dos EUA admitiram o uso de música para supostamente quebrar a resistência dos prisioneiros no Iraque. O objetivo era privá-los do sono e ofender suas sensibilidades culturais

“É importante entender de que não se trata de ‘música’ em qualquer sentido normal”, disse Sara MacNeice, da Anistia, à BBC, “mas mais como um assalto auditivo contra uma pessoa projetado para intimidar, desorientar e eventualmente desestabilizar um prisioneiro. Quer seja o uso de música alta, extremos de calor ou luz, posições dolorosas de ‘estresse’ ou simulações de afogamento, essas técnicas são cruéis e desumanas e estritamente proibidas sob o direito internacional”.

(BBC)